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 No.6

ESCRITORES FIO

Uma das maiores angústias do escritor amador é não ter ninguém para mostrar seus escritos, quiçá fazer uma crítica sobre eles.

Criando este fio, desejo amenizar a minha e, provavelmente, a sua dor. Vamos conversar, trocar figurinhas. Poste seus textos e avalie o texto de algum anão, de preferência aqueles que não receberam nenhuma crítica.


TL;DR: Avalie e seja avaliado, o fio.

 No.7

OP aqui, iniciarei o fio.
—————————————————————————————

Iniciarei esta narrativa com dois pedidos e uma observação.


Que escrevam, em minha epígrafe:

"Escalei do fundo do abismo ao topo do céu… e saltei."



2. Que não se incomodem pelo meu modo de falar. Falo assim por nojo ao linguajar corrente. Este dialeto imundo que hoje falamos só serve aos corações selvagens, simples e diretos; e, eu, apesar de não deixar de ser uma besta atroz, também sou, ao mesmo tempo, incorrigivelmente humano. Portanto, não reclame dos meus devaneios. Minhas artérias são sinuosas e só a nata do português é capaz das manobras e curvas necessárias para chegar ao imo desta quimera que vos escreve.



* E, se me acusarem de faltar com a sinceridade, dane-se. Enfadei-me dela. Ela matou meus sonhos e minha vontade, nunca cessou derrubar os poucos pilares de autoconhecimento que eu julguei ter erigido. Não a largo de mão, não consigo. Porém, é possível maquia-la. De qualquer forma, se você quiser acreditar que tudo aqui não passa de um grande acesso de vaidade, e que sou um sedento por aplausos, vá lá. Não está de todo errado. Mas, tenho a consciência limpa: aqui não há mentiras, apenas verdades belas.

 No.8

File: 1561511541716.jpg (201,76 KB, 900x1191, Konstantin Savitsky.jpg) ImgOps Exif Google

>>7

Creio, sinceramente, que nossa época será lembrada como a era das torrentes, arrastando o homem para sabe qual precipício, ou afogando-o na espiral feroz de um redemoinho qualquer. Todos sofrerão, singularmente a minha casta, a dos influenciáveis. Estes sofrerão o dobro, o triplo.


É uma época irônica e cruel: da aos homens um vasto vislumbre de tudo aquilo que eles podem se tornar e, eles, deslumbrados, escolhem enveredar por um caminho, depois outro e, em seguida, um novo; constantemente mudando o rumo da própria jornada, sempre distantes do fim. Pode-se julgar que uma vida assim, cheia de perspectivas, é alegre - mas, na verdade, é uma confusão. Diariamente alvejados pela publicidade de pelo menos dez caminhos diferentes do que seguem, são seduzidos por um novo rumo a cada hora. O mesmo sucede ao novo destino, que também tem data para ser ofuscado por outra novidade.


Passei toda minha vida engaiolado neste paradoxo. Planei sobre todos os temas que passaram por minhas pupilas, sem nunca mergulhar de fato em nenhum. Sobre tudo tive uma ideia, e de nada obtive ciência. Vivi nas superfícies. Acredito que todos esses anos no olho do furacão informacional enterraram minhas tendências naturais e, por isso, farei uma viagem ao meu passado e uma excursão às cavernas do meu espírito. No momento e condições que me encontro, é a única coisa significativa que ainda posso fazer neste plano.

 No.14

Capítulo Inacabado
Sentado aos pés de vasto leito, deliberava Herculano as várias e lascivas intenções que, a contragosto, condenaram-lhe ora, e tantas outras vezes, a odiar-se. Cuidava que, se cresse em Deus, talvez pudesse contê-las (quem sabe até superá-las!), mas, como homem fiel a seu tempo, temia à morte e fugia de tudo quanto é sagrado — em parte, porque cria na ciência; em parte, porque dependia do profano.

— "Se eu cresse em Deus…!", murmurava.

A meia-luz que dominava o quarto do Motel D'Amour provinha, debilmente, de uma janela de madeira já muito antiga, pintada de um branco grosso e vulgar, que descascava. Havia roupas e restos de comida depositados ao redor da cama — que, em desordem, ocupava grande parcela do cubículo. Havia ainda um criado-mudo sobre o qual erguia-se um abajur sem lâmpada, e em que aguardavam
alguns maços de cigarro e um smartphone. O chão rangia, e cada passo era como uma dúvida.

— “Que horas são?”, perguntou, sonolenta, a mulher que deitava sobre o leito.

— “Daqui a pouco, meio-dia.”, respondeu sem volver-se a ela, concentrado em algo.

Já não estava mais sentado; fumava diante da janela. Profundamente, buscava qualquer coisa de indefinível por entre aquelas pequenas frestas. A mulher soergueu-se e tensionou descer da cama, mas ao vislumbrar a penetração dos olhos dele, estacou e subitamente sentiu-se só; um calafrio correu-lhe sobre a espinha. Quando se punha a pensar, parecia Herculano não estar em lugar nenhum. Após alguns segundos, quando se deu por si, percebeu que a mulher o olhava e disse:

— "É hora de almoçarmos, mas não sei se encontraremos algum restaurante aberto. Arruma-te."

Morosamente, destapou-se, revelando-se nua. Era morena, de curvas tediosas e olhos castanhos. Comum. Pouco falava; demasiadamente tímida para expor-se ou contrariar quem quer que fosse, embora agisse livremente em estando a sós com Herculano.

>>7
>>8
Compreendo a sua revolta contra a linguagem moderna, mas não deixe que a busca pelo que é elevado corrompa a sua expressividade.

>Que não se incomodem pelo meu modo de falar. Falo assim por nojo ao linguajar corrente.

Que não vos incomode o meu estilo, este que é fruto de revolta contra a expressão vulgar.
Não vejo por que dividir a frase em duas.

>e, eu, apesar de não deixar de ser uma besta atroz, também sou, ao mesmo tempo, incorrigivelmente humano.

Não sei se lhe compreendi mal — o que é bem possível —, mas, a mim, a relação entre besta atroz e humano é muito inconsistente. Talvez porque não houve uma definição clara destes termos.

>não se incomodem

>não reclame
>que vos escreve
Por qual pessoa do discurso está você tratando o leitor?

>Minhas artérias são sinuosas e só a nata do português é capaz das manobras e curvas necessárias para chegar ao imo desta quimera que vos escreve.

Uma metáfora extremamente criativa, mas mal executada. A nata do português não soa bem.
Por serem as minhas artérias assim sinuosas, somente a poetas de alto valor é dado o engenho de alcançar, por manobras mil, o âmago desta quimera que ora a vós escreve.

>Mas, tenho a consciência limpa: aqui não há mentiras, apenas verdades belas.

Em escrevendo, preste muita atenção ao ritmo. Apenas belas verdades soa melhor, devido à intercalação melódica de tônicas.

Em relação ao resto, não tenho mais nada para comentar. Concordo com o seu ponto de vista: sou um dos influenciáveis.

 No.104

https://8channel.net/littera/
Chan voltado unicamente para o estudo de Latim e Gramática.

 No.106

A verdade é que eu não quero, e muito menos consigo, explicar esta minha miserável e infeliz condenação, pois, ao me encontrar nela como um miserável arrependido de vivê-la sofrendo, não encontro nenhum sofrimento que acabe com a exigência de ser mais que um condenado ao que já foi perdido nela, de ter mais do que seria o explicável ao ser encontrado em meu sofrido vagar na solidão, sem nada temer, além do cansaço de esperar mais um dia, sem nada querer, além do suficiente para acordar esquecendo o que sofreria, pois, vivendo na miséria, apenas por ela a vida era sentida, mas não porque esta minha cruel vida (que chamo de minha apenas por ser lamentada pela infelicidade de estar sofrendo por ela) encontrou a sua verdadeira miséria em uma escolha consciente, em uma escolha consciente de todo o mal que eu me tornaria por continuá-la perdendo na solidão, consciente de que tudo o que eu sofreria não era um mal entendido sobre o que deveria ser feito com esta vida ou sobre o que eu senti ao me encontrar sofrendo com o que sonhei ser, mas porque nada do que poderia ser feito, ao reconhecer a miséria como sendo minha, seria o suficiente à minha incompreensão de que, no presente, o valor alcançável pela vida é temido ser verdadeiro sem a felicidade, enquanto é esquecido na esperança de ser merecido por ela própria, sendo esquecido enquanto é lamentando na condenação de sofrer para não estar consciente do que se tornará, enquanto torna-se parte do passado já perdido no reviver sempre o próprio esquecimento, sem nunca conseguir ser alcançado pela felicidade do que poderia ser uma vida feliz, nem estar no que foi vivido com a infeliz miséria de sonhar em ser, tornando toda uma vida o sofrimento miserável de continuar sendo infeliz por onde resta a esperança.

Portanto, mesmo reconhecendo o infeliz que eu sou, minha vida continua tendo a culpa de estar na solidão e ser nela cruelmente condenada, de estar perdida e esquecida sem, ao menos, ser reconhecida como já acabada, sem ter o merecido arrependimento de quem já foi condenado e escolheu continuar esperando o seu fim além do que foi a sua escolha, o fim do seu sofrido vagar sem nada procurar na miséria, sem nada para ser arrependido em sua vida miserável, enquanto sonhava com o sofrimento de ser mais que uma lembrança, de ser mais do que apenas a mesma lembrança de um eterno vagar pelo que está no valor do inesquecível e insuficiente vazio da vida, o vazio que, estando em tudo aquilo que na vida foi reconhecido como destinado à felicidade, é lamentado pela solidão de acabar na própria felicidade de viver apenas no eterno presente, e culpar o que não foi vivido, mas sempre será condenado a estar nele ou acabar com o vazio, até não restar nada para ser lembrado, e apenas o sofrimento para ser vivido.

 No.113

Bump.

 No.125

>>106
Extrema repetição de palavras que apenas aparentam possuir profundidade.

 No.132

>>125
Se tu diz…

 No.162

Eu almoçava sempre naquele pub francês. Além de ter uma boa localização tinha também uma comida decente, nada de extraordinário, apenas decente. Neste dia, em particular, mirei um rapazinho cortejando duas moças na mesa ao lado. As duas punham-se a dar risinhos e se engraçavam em direção ao rapaz. Eu, percebendo aquela situação, me aproximei e olhei para o rosto daquele rapaz. Ele não se deu por abatido, continuou contando sua estória com bastante detalhismo e às vezes lançava-me um olhar de soslaio, um pouco irritado. Quando ele terminou a estória, todos na mesa concentraram a atenção em mim. Olhei fixamente nos olhos daquele rapaz e disse "prossiga". O rapaz, exasperado, prosseguiu contando a estória. Cada vez mais a estória ia tomando um rumo fantasioso e irreal, e quando ele terminava eu dizia "prossiga". Isso se repetiu em torno de 5 vezes, até que sua estória entrou em uma ridícula contradição e ele se embaraçou. As moças, percebendo a inconveniente situação, se levantaram com um olhar esnobe e partiram em direção as ruas parisienses. O rapaz, bom, nunca mais retornou ao pub.

 No.163

Eu almoçava sempre naquele pub francês. Além de ter uma boa localização tinha também uma comida decente, nada de extraordinário, apenas decente. Neste dia, em particular, mirei um rapazinho cortejando duas moças na mesa ao lado. As duas punham-se a dar risinhos e se engraçavam em direção ao rapaz. Eu, percebendo aquela situação, me aproximei e olhei para o rosto daquele rapaz. Ele não se deu por abatido, continuou contando sua estória com bastante detalhismo e às vezes lançava-me um olhar de soslaio, um pouco irritado. Quando ele terminou a estória, todos na mesa concentraram a atenção em mim. Olhei fixamente nos olhos daquele rapaz e disse "prossiga". O rapaz, exasperado, prosseguiu contando a estória. Cada vez mais a estória ia tomando um rumo fantasioso e irreal, e quando ele terminava eu dizia "prossiga". Isso se repetiu em torno de 5 vezes, até que sua estória entrou em uma ridícula contradição e ele se embaraçou. As moças, percebendo a inconveniente situação, se levantaram com um olhar esnobe e partiram em direção as ruas parisienses. O rapaz, bom, nunca mais retornou ao pub.

 No.164

Os anões tem indicações de livros que tratem, acima de tudo, da estruturação da narrativa (desenvolvimento, conflito, resolução, etc)?
Estou lendo um livro de Raimundo Carreiro sobre escrita criativa, mas ele está me parecendo muito repetitivo e não dá indícios de que chegará nessa questão que é a minha principal dificuldade no momento.



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